A empresa Canal do Peixe explora o potencial económico
da Ilha dos Puxadoiros mantendo o foco na sustentabilidade ambiental
Há um investimento na Ilha dos Puxadoiros,
na laguna de Aveiro, para o cultivo de uma erva gourmet. Fresca, em conserva ou
em pó. A Universidade de Aveiro já estuda outras potencialidades.
A salicórnia é uma planta halófita. Cresce espontaneamente em ambientes
salinos, como sapais. Outrora vista como erva daninha e utilizada para rações
ou alimento de pescadores, sobretudo no norte da Europa, a Salicórnia é hoje
alvo de estudo. As suas propriedades têm conduzido a um interesse económico e
ao seu desenvolvimento comercial.
Mede entre 30 a 40 centrímetros, assemelha-se aos espargos verdes, daí ser
apelidada de “espargos do mar.” É igualmente chamada de “sal verde”, sendo um
tempero alternativo ao sal. Associada com frequência na confeção de peixe e
marisco, conceituados chefs internacionais introduzem-na em pratos de carne,
nomeadamente borrego.
Esta planta gourmet de cozinha de autor tem cultivo organizado, por
exemplo, em França e no Reino Unido, e muito consumida na Holanda. Em Portugal
não tem ainda expressão, apesar de ser encontrada ao longo da nossa costa, mais
frequentemente nas margens dos canais da ria de Aveiro e Ria Formosa, no
Algarve.
As suas características suscitaram a atenção da empresa Canal do Peixe, que
se lançou num projeto de valorização e aproveitamento sustentado de produtos
endógenos na ilha dos Puxadoiros, ao longo de 42 hectares da ria de Aveiro.
Assente em quatro eixos: sal e flor de sal tradicional, aquicultura (produção
de ostras), turismo sustentável e salicórnia (fresca, em conserva e pó).
São-lhe atribuídos valores nutricionais pelo teor de vitaminas A, C e D,
proteínas, ácidos gordos, cálcio, iodo e magnésio.
À espera de certificação biológica
O Canal do Peixe - criado em 2007 por sete amigos - fez um investimento de 50 mil euros na recuperação dos terrenos e máquinas para a colheita da salicórnia, revela o administrador Paulo Carpinteiro. Através de estudos de mercado e viagens que fizeram à Holanda e a França, os sócios perceberam que a salicórnia tinha valor.
De recolectores, à mercê do que a natureza dava, passaram a semeá-la. O
remanescente, que não é escoado em fresco, transforma-se em pickles e em pó,
processo assegurado por um parceiro. Uma outra parceria, com a Universidade de
Aveiro, testa outros derivados inovadores. O ciclo produção estende-se de
março, início da sementeira, até novembro, fim da recolha de sementes. Entre
maio e agosto decorre a "colheita".
“A participação no prémio era o passo que necessitávamos para evoluir para
uma produção sistematizada”, destaca o administrador, que diz terem ficado
surpreendidos com a seleção para a final do Prémio Intermarché Produção
Nacional 2014. O Canal do Peixe está no primeiro ano de produção. Têm o próprio
ponto de venda, a Casa da Ria, em pleno centro de Aveiro, mas vendem noutras
lojas gourmet. Querem a salicórnia em grandes superfícies. A certificação de
método de produção biológico (MPB) está em andamento.
