Os frutos
podem até ser utilizados como corantes naturais. As palmas são comestíveis e
das flores secas faz-se chá
Teresa Laranjeiro foi à procura de um sonho e descobriu uma cultura à primeira vista sem interesse e desconhecida - já se imaginou a pedir um gaspacho de figo da índia? - mas que acredita ter "potencial". O ano passado lançou o desafio para se associarem em cooperativa: 75 produtores disseram "sim".
Quantos
de nós já não desejou mudar radicalmente de vida? Teresa Laranjeiro, gestora de
projetos informáticos, tinha esse desejo e concretizou-o. Vivia em Lisboa mas a
relação com a terra estava-lhe no sangue - os pais tinham quintas - e foi
alimentando o sonho. Imaginava: um dia terei, também, um pedaço de terra. Como
os filhos já não dependiam dela, o regresso às origens foi falando cada vez
mais alto. Até despedir-se da empresa onde estava. Trabalhou por conta própria
enquanto procurava um terreno nos arredores da capital para poder estar perto
da família. Mas nada encaixava no plano e viu-se forçada a alargar o horizonte.
Adquiriu 14 hectares no Vimieiro, em Arraiolos. Já lá vão quinze anos.
Demorou
dois anos a mudar-se em definitivo. Tentou várias produções, nenhuma com
resultados satisfatórios. A primeira, a sementeira de trigo, então, foi um desastre.
Determinada, em 2010, disse para si mesma: “É agora”. Não queria uma cultura
tradicional. “Procurava um modo de produção biológico, inovador e sustentável,
sem intervenções profundas no terreno”, explica a agricultora de 55 anos.
Teresa
esbarrou com um projeto de produção de figos da índia, ainda estava ligada à
informática, e estranhou o interesse nisto. “Quem é que se põe a plantar catos
e acha que isso pode render alguma coisa? Foi isto que pensei naquela altura”,
conta. Só que aquilo não lhe saiu da cabeça. Quis saber mais, entusiasmou-se e,
em 2012, acabaria por formalizar, em sociedade com a filha, três candidaturas
ao PRODER: Sobremesa da Vida (plantação de figueiras da índia), a Cactus
Extractus (para transformação) e a Chá Bravo (cultivo de ervas aromáticas).
Destinou seis hectares da quinta ao plantio de 6000 palmas.
Apostou
na produção e transformação dos figos da índia e desde o final de 2013
voltou-se para a cosmética com a comercialização de um óleo facial – o Alchemy.
Extraído das sementes, com uma técnica de pressão a frio, já é vendido em
Estremoz, feiras sustentáveis e lojas de produtos naturais em Évora e Lisboa.
O óleo de
figo da índia é hidratante e antioxidante
No
menu
“Rico em vitamina E, ácido oleico e antioxidantes, oferece uma grande capacidade hidratante e regeneradora da pele, que funciona bem para disfarçar rugas, manchas e recuperar de cicatrizes”, destaca Teresa Laranjeiro, que surpreende: “Tenho amigos que o estão a utilizar como after shave, por ser um óleo seco”.
“Rico em vitamina E, ácido oleico e antioxidantes, oferece uma grande capacidade hidratante e regeneradora da pele, que funciona bem para disfarçar rugas, manchas e recuperar de cicatrizes”, destaca Teresa Laranjeiro, que surpreende: “Tenho amigos que o estão a utilizar como after shave, por ser um óleo seco”.
A
investigação aprofundada que Teresa fez sobre o produto antes de se lançar no
negócio levou-a a delinear uma estratégia de reaproveitamento da fruta fresca
que não estivesse em condições para comercializar. Este ano prevê a produção de
apenas uma tonelada. "Ainda é pouco", diz, já que este é apenas o
primeiro ano de produção, mas já sabe que uma parte vai entrar na unidade
fabril para ser transformada em polpa, que depois é congelada para confeção de
gelados, granizados, ou sobremesas. Uma parceria com a chef Mariana Cardoso
levou-os à apresentação no Green Fest, no Estoril, em 2012, um projeto de
pratos experimentais, entres eles gaspacho de figo da Índia e o cheesecake de
queijo de cabra e figo da índia.
Um
Cheesecake invulgar
Cheesecake de queijo de cabra e figo da índia
Ingredientes
(6 doses)
(6 doses)
200ml de
natas
200gr de mascarpone
100gr de açúcar
150gr de queijo de cabra
100gr de bolacha Maria
40gr de manteiga
Compota de figo da índia qb
Amêndoa laminada para decoração
Preparação
Bater as natas, adicionar o açúcar, o mascarpone e o queijo de cabra sem casca e desfeito com as mãos, bater até ficar homogéneo.
Triturar a bolacha e acrescentar a manteiga amolecida, misturar com as pontas dos dedos até formar uma massa esfarelada.
Montar em copos individuas, primeiro a massa da bolacha e depois o creme de queijo de cabra, por cima colocar doce de figo da índia e decorar com amêndoa laminada.
200gr de mascarpone
100gr de açúcar
150gr de queijo de cabra
100gr de bolacha Maria
40gr de manteiga
Compota de figo da índia qb
Amêndoa laminada para decoração
Preparação
Bater as natas, adicionar o açúcar, o mascarpone e o queijo de cabra sem casca e desfeito com as mãos, bater até ficar homogéneo.
Triturar a bolacha e acrescentar a manteiga amolecida, misturar com as pontas dos dedos até formar uma massa esfarelada.
Montar em copos individuas, primeiro a massa da bolacha e depois o creme de queijo de cabra, por cima colocar doce de figo da índia e decorar com amêndoa laminada.
(Chef Mariana Cardoso - Receita
cedida por Cactus Extractus)
O
novo kiwi?
Vista como uma planta selvagem, que servia de sebes e alimento a porcos, a figueira da índia é muito consumida na América do Sul, sobretudo no México. Gosta de terrenos áridos, necessita de pouca água e dá frutos uma vez por ano, mas só ao final do terceiro ano de produção. A fruta é colhida em Agosto. Uma tarefa “crítica e complicada". Os frutos são apanhados um a um à mão. E é sempre cortado com parte da palma. “Se o arrancarmos da planta vem aberto o pé e aprodecem”, explica.
Vista como uma planta selvagem, que servia de sebes e alimento a porcos, a figueira da índia é muito consumida na América do Sul, sobretudo no México. Gosta de terrenos áridos, necessita de pouca água e dá frutos uma vez por ano, mas só ao final do terceiro ano de produção. A fruta é colhida em Agosto. Uma tarefa “crítica e complicada". Os frutos são apanhados um a um à mão. E é sempre cortado com parte da palma. “Se o arrancarmos da planta vem aberto o pé e aprodecem”, explica.
Sendo a
produção ainda pouco expressiva, Teresa mobilizou-se e juntamente com outros
produtores foi uma das organizadoras do primeiro encontro nacional do figo da
índia em abril de 2014. O evento realizado em Évora superou as expetativas: a
sala com capacidade para 350 pessoas esgotou. As manifestações de interesse
surgiram e, em junho do ano passado, 75 produtores associaram-se à Exotic
Fruits New Flavours. Para já, a meta passa por aumentar a capacidade produtiva
e o escoamento da fruta fresca, que possa repercutir-se na descida do preço
deste produto, que ronda os 10 euros por quilo.
Teresa
acredita que este poderá deixar de ser um fruto "especial" para se
voltar para o consumo de massas, à semelhança do que aconteceu com o kiwi em
Portugal. "Esta é uma cultura com grande potencial e acho que não estou a
ser excessivamente otimista", remata.
