Os dois amigos ambicionam criar escala com um fileira
de produtores para exportar
Rui César e Norberto Moreira são filhos da
mesma terra, Castelo de Paiva, e andaram juntos na escola. A agricultura
uniu-os e passaram de amigos a sócios. Com êxito: o seu modelo de negócio está
a ser replicado por outros produtores.
"Queremos ser uma referência no norte do país, não só na
comercialização, mas especialmente na produção". As palavras são de Rui
César, amigo de infância Norberto Moreira, que um dia lhe fez uma
"proposta tentadora" para criarem uma empresa de frutos vermelhos,
depois de saber da exploração de um outro amigo em Valença.
Nasceram em 1972, colegas de escola, desde o primeiro ciclo até ao
secundário, são da mesma terra. De Castelo de Paiva. O primeiro tem
licenciatura em Economia e pós-graduação em gestão cultural, o segundo em
gestão financeira. Ligações à agricultura só na geração dos avós. Produziam
vinhos. Nunca imaginaram trabalhar na terra.
"Não fazíamos a mínima ideia de como é que se fazia. Fomos visitar
produções em Huelva e Odemira, beber os conhecimentos junto dos melhores",
conta Rui. Escolheram a framboesa, porque da análise que fizeram era aquele que
"garantia mais retorno". Investiram antes mesmo da atribuição do
subsídio comunitário a que concorreram. Tinham os dois 39 anos, há três anos
atrás. Tinham também capitais próprios para avançar e acreditaram desde logo no
empreendimento e resultados. O apoio financeiro veio a 50% num investimento
acima de 280 mil euros.
Alugaram terreno da igreja
O terreno foi alugado à igreja paroquial da freguesia de Santa Marinha de
Figueira, em Penafiel, por dez anos, com a perspetiva de renovação por mais
dez. "A comunicade local acarinhou o projeto", frisa o
produtor. Ele e Norberto mantêm as suas atividades mas já não dá para não terem
os pés fixos neste projeto. "Conseguímos estar de manhã a dar formação ou
numa empresa de consultadoria e à tarde ir ver como está a apanha e ir ajudar a
escolher meia tonelada de framboesa", explica. Mas uma ocupação a tempo
inteiro seria "muito contraproducente" neste momento. Pretendem
fazê-lo à medida "que os interesses, tipo de serviço, volume de negócio e
tipo de transações" assim o justificarem.
Três anos depois têm três postos de trabalho e mais 40 pessoas, como
prestadoras de serviço, durante as campanhas, numa área coberta de 1,1
hectares, o equivalente à plantação de 25 mil pés de framboesa. O dia a dia
exige acompanhamento no terreno, devido à falta de mão de obra especializada na
região e a sazonalidade. "Todas as operações relacionadas com a
framboesas, desde a fonte até ao embalamento exigem altos padrões de qualidade.
O mais pequeno detalhe faz toda a diferença e pode pôr em causa o lote".
O total da exploração é de 2,5 hectares. Iniciaram-se com 7000 m2 de área
coberta. Cresceram mais 30% do que o previsto. As framboesas diferenciam-se ao
nível da textura, de sabor e de maturação.
Grandeur, Kwelli, Radiance são as variedades produzidas por estes
agricultores empresários. Que garantem saber fazer tudo. Desde a fertilização à
plantação, passando pela aplicação de produtos framacêuticos e colheita.
"Não há nada na empresa que não tenhamos conhecimentos. Há operações que
fica mais barato termos lá funcionários", explica.
A fruta segue para um entreposto comercial. No primeiro ano produziram 13
toneladas, no segundo ano 18 e este ano esperam chegar às 20 toneladas. Mas o
mercado revela-se incipiente e a exportação direta para o norte da Europa é o
caminho. Disso não têm dúvidas. Tendo esta meta definida, os dois produtores
lançaram-se na criação de projetos de investimento e apoio técnico para
instalação de outros produtores tendo por base o "exemplo em casa".
"Estamos vender um serviço que temos para nós. Naquilo que não
sabemos tentamos ir buscar os melhores da região na área agrícola". Criar
um fileira associativa na framboesa porque "o agricultor não consegue
sobreviver sozinho, sem um fileira bem organizada e um sector agrícola cada vez
mais profissional. "
O método profissional que utilizam está longe de ser feito a
"olhómetro". A formação deste dois amigos fê-los transportar para o
sector métricas e modelos que ainda não estão implementadas. Focam-se agora na
replicação do seu modelo de investimento e produção para ganhar escala e vender
melhor o produto.

